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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Bibliografia Genealógica Potiguar

Objetivando auxiliar a tantos quantos desejem pesquisar sobre famílias potiguares, apresento a bibliografia genealógica potiguar. Serão considerados além dos autores potiguares, as genealogias escritas por autores de outros estados que versem sobre famílias potiguares em seus trabalhos.
Destaco para conhecimento de todos os interessados em genealogia potiguar, dois grandes genealogistas que no anonimato em que desejam estar, desenvolvem pesquisas sérias e fundamentadas, sendo fonte imprescindível para os pesquisadores do Rio Grande do Norte, são eles: Fernando Bezerra Galvão, genealogista currasnovense, que domina a genealogia seridoense como poucos, sendo fonte para muitos, inclusive para mim, pesquisador da família do Cel. José Bezerra de Araújo Galvão.

O outro genealogista é o Toscano, simples e bom, pesquisador daqueles que não dispensam os papéis velhos e esquecidos do nosso Instituto Histórico, bem como os registros cartoriais e da Cúria Metropolitana do Natal, buscando estabelecer ligações, encontrar entroncamentos, sem nunca permanecer na primeira informação.

Fernando Bezerra Galvão e Toscano, não possuem livros escritos. São exemplos formidáveis de humildade. Seus conhecimentos dariam inúmeros livros acerca de nossos antepassados. Mas preferem repassar o que sabem, porque para eles a satisfação reside na pesquisa.
Através de meu apelo insistente decidiram se filiar ao nosso Instituto de genealogia. Porém, nunca participam de discussões e dos encontros, preferindo continuar em suas pesquisas constantes e ajudando desinteressadamente a tantos que os procurem.

Por fim, listo as genealogias de Luiz da Câmara Cascudo. Esse autor que se interessou por tudo que dizia respeito ao seu Rio Grande do Norte, não se furtou de deixar consignada sua contribuição a genealogia estadual, apresentando suas genealogias nas Actas Diurnas e posteriormente na Revista Genealógica Brasileira.


ALVES, Celestino. Retoques da História de Currais Novos. Natal: Fundação José Augusto, PMCN, 1985;
AMARAL, Aldysio Gurgel do. Na Trilha do Passado: genealogia da família Gurgel. Fortaleza: Tipografia Minerva, 1986;
ARAÚJO, Antônia Figueirêdo. Retalhos de família: revivendo gerações. Caicó: Mater Dei, 2007;
ARAÚJO, Boanerges Januário Soares de. Cel. Pedro Soares de Araújo: o patriarca. Natal: 1957;
ARISTON, Eunice. Olegário Vale: o idealista. Natal: RN Econômico, 2004;
AZEVEDO, Max Cunha de. Coronel Felinto Elizio: ilustre patriarca do Seridó. Natal: Nordeste Gráfica e Editora, 2006;
AZEVEDO, Galdino Vieira de. Há Mais de Meio Século. Macaíba: 2006;
AZEVEDO, Aluizio. Famílias Azevedo, Dantas, Medeiros e Rocha no Rio Grande do Norte. Coleção mossoroense, série “C”, V. 1340. Natal: Gráfica de Fato, 2002;
BASTOS, Sebastião de Azevedo. No Roteiro dos Azevedos e Outras Famílias do Nordeste. João Pessoa: Gráfica Comercial, 1954-1955;
BEZERRA, José Augusto de Medeiros. Famílias Seridoenses. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti Editores, 1940;
BEZERRA, Luiz G. M. Silvino Bezerra Neto. Mossoró: Fundação Guimarães Duque, Coleção Mossoroense, série “C”, vol. 1251, 2001;
BEZERRA, Silvino. Lembrança para Minha Família. Natal: Gráfica União, 1962;
BEZERRA, Silvino. Caetano Dantas Correa e o Sítio Ingá. Tipografia Villar, 1957;
BRANCO SOBRINHO, José Moreira Brandão Castelo. Moreira Brandão. Rio de Janeiro: separata da revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1959;
BRASIL, Paulo M. Assis. Bravos Sertanejos do Seridó: famílias de Portugal e do Brasil. Os Dantas Corrêa e os Ribeiro Dantas. Natal: Sebo Vermelho, 2002;
BRITO, Raimundo Soares de. Alferes Teófilo Olegário de Brito Guerra: um memorialista esquecido. Mossoró: Coleção Mossoroense, vol. CXXXII, 1980;
CÂMARA, Adauto da. Câmaras e Mirandas Henriques. Natal: Departamento Estadual de Imprensa, 2006;
CASCUDO, Luiz da Câmara. Conde D’Eu. Rio de Janeiro: Editora Nacional, 1933;
_________. A família do Pe. Miguelinho. Natal: Coleção Mossoroense, N.55, Departamento de Imprensa, 1960;
_________. Jerônimo Rosado (1861-1930): uma ação brasileira na província. Rio de Janeiro: Pongetti, 1967;
_________. Os Carrilho do Rio Grande do Norte. Revista Genealógica Brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1941;
_________. João Lustal Navarro e seus descendentes. In O Livro das Velhas Figuras nº 03;
_________. Francisco da Costa e Vasconcelos. In O Livro das Velhas Figuras nº 03;
_________. Francisco Machado de Oliveira Barros. In O Livro das Velhas Figuras nº 03;
_________. A Família do Padre Miguelinho. In O Livro das Velhas Figuras nº 03;
_________. Nísia Floresta e alguns parentes. In O Livro das Velhas Figuras nº 04;
_________. O Fundador da família Raposo da Câmara. In O Livro das Velhas Figuras nº 04;
_________. O primeiro Joaquim Inácio Pereira. In O livro das Velhas Figuras nº 05;
_________. Joaquim Torquato Soares Raposo da Câmara. In O livro das Velhas Figuras nº 05;
_________. Os antepassados de Câmara Filho. In O livro das Velhas Figuras nº 05;
_________. Joaquim José do Rego Barros. In O livro das Velhas Figuras nº 06;
_________. Gonçalo Morgado. In O livro das Velhas Figuras nº 06;
_________. Descendência de Joris Garstman? In O livro das Velhas Figuras nº 06;
__________. A Família Ribeiro Dantas. In O livro das Velhas Figuras nº 06;
__________. Os descendentes de Joaquim Inácio Pereira. In O livro das Velhas Figuras nº 07;
_________. A Casa de Cunhaú: história e genealogia. Brasília: Senado Federal, 2008;
COSTA, Sinval. Os Álvares do Seridó e suas ramificações. Recife: Comunigraf Editora, 1999;
ESCÓSSIA, Lauro da. As Dez Gerações da Família Cambôa: estudo genealógico. Mossoró: Coleção Mossoroense, vol. 55, 1978;
FERNANDES, João Bosco; MOUSINHO, Antônio Fernandes. Memorial de Família: pesquisa genealógica. João Pessoa: Halley Editora, 1994;
FILGUEIRA, Marcos Antônio. Esboço Genealógico da Família Burlamaqui. Mossoró, coleção mossoroense, série “C”, vol. DXXXIX, 1990;
FILHO, Antônio Othon. Meio Século da Roça à Cidade: cinqüentenário de Currais Novos. Recife: Companhia editora de Pernambuco, 1970;
FILHO, Juvêncio Cunha. Nossa Origem, Nossa Descendência. Natal: 2ª edição, CERN, 1990;
GALVÃO, Dagoberto Félix Bezerra de Araújo. Reminiscências. Brasília: 1984;
GUIMARÃES, Gaspar Antônio Vieira. Doze Gerações: notas genealógicas. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1936;
JOPPERT, Gustavo Pedrosa. Os Pedrosa. Rio de Janeiro: edição do autor fora de comercio, 1991;
LAMARTINE, Pery. Assentamentos da Família Lamartine. Natal: Editora Clima, 1982;
___________. Coronéis do Seridó. Natal: sebo vermelho, 2005;
LINHARES, Mário. Os Linhares: retrospecto genealógico 1690-1939. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1939;
LOPES, José Evangelista. Itajá dos Lopes. Natal: Clima, 1987;
WANDERLEY, Walter. Família Wanderley: história e genealogia. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1966;
MACÊDO, Antônio Soares de. Breve Noticia sobre a Árvore Genealógica da Família Casa Grande, residente em Assú, Estado do Rio Grande do Norte. Natal: Tipografia Natelense, 1893;
MARANHÃO, João de Albuquerque. História da casa de Cunhaú;
MARANHÃO, Paulo Frederico Lobo. A família Maranhão do Cunhaú ao Matary. Recife: Comunigraf, 2001;
MEDEIROS FILHO, Olavo. Velhas Famílias do Seridó. Brasília: Senado Federal, 1981;
___________. Origens Genealógicas dos Morais Navarro no Nordeste Brasileiro. Mossoró: Coleção Mossoroense, série “B”, nº 470, 1988;
___________. O Engenho Cunhaú à Luz de um Inventário. Natal: Fundação José Augusto, 1993;
___________. Os Barões do Ceará-Mirim e Mipibú. Mossoró: Coleção Mossoroense, Série “C”, vol. 1410, 2005;

MEDEIROS, Kyval da Cunha. Cinco Gerações: o coronel Ambrósio de Medeiros e sua descendência. São Paulo, 1945;
MEDEIROS, Tarcízio Dinoá. Genealogia de uma Família do Seridó. Brasília: Verano Editora, 2007;
MELO. Manoel Rodrigues de. Patriarcas e Carreiros: influência do coronel e do carro de boi na sociedade rural do nordeste. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti Editores. 2ª edição, 1954;
MOURA, Carlos Alberto Dantas. Família Ribeiro Dantas de São José de Mipibú. Brasília: Senado Federal, 1985;
NÓBREGA, Trajano Pires da. A Família Nóbrega. São Paulo: 1956;
ONOFRE, Manoel Jr. Espírito de Clã. Natal: offset gráfica, 2003;
OLIVEIRA, Rossini Fernandes de. José Josias Fernandes: perfil de um homem público. Natal: Departamento Estadual de Imprensa, 2000;
PEREIRA, Ernestino de Araújo. Manoel Elias e sua Família Araújo Pereira. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1983;
QUEIROZ, Alcides Francisco Villar de. Villar & Cia: apontamentos de história familiar. Natal: Gráficos Boch, 1998;
_________. Villar & Cia 2: apontamentos de história familiar. Rio de Janeiro: Fábrica dos Livros, 2003;
ROSADO, Cid Augusto Escóssia. Escóssia. Mossoró: Coleção Mossoroense, série “C”, vol. 989, 1998;
ROSADO, Vingth-un. Informação Genealógica Sobre Alguns Rosados. Mossoró: Coleção Mossoroense, 1982;
ROMÃO, João Evangelista. Além dos Jardins: história e genealogia de Jardim de Angicos. Jardim de Angicos, 2006;
SOARES. Arysson da Silva. Descendência de José Batista dos Santos e sua mulhr Josefa Freire de Medeiros (Ou Araújo). 1997;

SOARES, Arysson da Silva. Os Panelas: Descendência do patriarca Clemente de Araújo Pereira e Ana Francelina de Brito. Natal, 2002;
SIMONETTI, Ormuz Barbalho. Genealogia dos troncos familiares de Goianinha-RN. Natal: Offset Gráfica, 2008;
TAVARES, Maria Yolanda Montenegro. Montenegro: a história e uma família, 1634-1996. Fortaleza, Imprensa Universitária, 1996;
TRINDADE, João Felipe da. Servantis ex more servandis: uma genealogia. Natal: Imagem Gráfica, 2008;
VASCONCELOS, Guiomar de. Dados Genealógicos de um Ramo da Família Vasconcelos no Rio Grande do Norte. Natal: Tipografia Gualhardo, 1952;
VIANA, Dudé. A Saga Benevides Carneiro: a história da família mais diversificada do RN. Natal: Departamento Estadual de Imprensa, 2006

FONTE:

Graduado em História. Atualmente é mestrando em Educação pela UFRN e cursa Direito. É sócio fundador do Instituto Norte-Rio-grandense de Genealogia, membro do Instituto Pró-Memória de Macaíba, do Centro Norte-Rio-grandense do Rio de Janeiro e da Academia Macaibense de Letras, onde ocupa a cadeira nº 04, cujo patrono é Augusto Tavares de Lyra.
Copiado de: http://www.historiaegenealogia.com/2011/01/bibliografia-genealogica-potiguar.html

A lenda de Gawaine


Gauvain (Gawain, Gauvaine ou Gawan) é uma das personagens das obras literárias inseridas no Ciclo Arturiano. A personagem é muitas vezes designada por Gawain, variante do seu mais comum nos países anglo-saxónicos, aí normalmente precedida pelo título Sir. Nas versões medievais portuguesas das histórias arturianas, era comum traduzir o nome da personagem para Galvão e precedê-lo pelo título Dom.
Gawaine é muitas vezes descrito como sendo sobrinho do rei Artur, filho de Morgause e irmão de Gaheris, Gareth, Agravaine e Mordred. Possuía um comportamento muito irritadiço, como pode-se constatar em Layamon, onde, quando Artur descobre a traição de Lancelot e Guinevere, Gawaine declara que vai enforcar Mordred com suas próprias mãos e que Guinevere deve ser despedaçada por cavalos selvagens. Outra passagem, descrita por Thomas Malory, onde se pode visualizar o caráter persistente de Gawaine, é mostrada quando do cerco ao castelo de Lancelot. Lancelot, que durante a fuga com a rainha mata Gaheris e Gareth, afirma que a acusação de traição contra ele é falsa e que o julgamento por combate havia mostrado que ele estava certo. Arthur poderia até perdoá-lo, mas Gawaine não deixa que isso ocorra. O clímax da história é a luta entre Gawaine e Lancelot. A luta é interessante, pois mostra vestígios de uma história muito antiga.
Gawaine tem uma peculiaridade que lhe permite ganhar força física no período que vai das nove da manhã até ao meio-dia. Malory diz que isso era um presente de um homem santo, mas é claro que, originalmente, Gawaine era um adorador do "deus-sol". A despeito desta vantagem, Lancelot simplesmente resiste nas horas de força de Gawaine e, quando elas declinam, lança-o à terra. Por duas vezes essa luta sobrenatural acontece e a cada vez que Gawaine é jogado no chão, chama Lancelot para continuar a luta.

Gawaine e o Cavaleiro Verde

O conto mais famoso de 'Gawaine', no entanto, é intitulado Sir Gawain and the Green Knight (D. Gauvain e o Cavaleiro Verde), escrito por volta do ano 1400. No dia do Ano-Novo, quando o rei, a rainha e a corte estão reunidos para um jantar, um cavaleiro de tamanho incomum entra no casarão com seu cavalo. Pede que algum cavaleiro ali presente lhe dê um golpe no pescoço com o machado que ele carrega e que, no próximo Ano-Novo, o oponente esteja na Capela Verde para receber, por sua vez, o seu golpe. O cavaleiro e suas roupas, assim como seu cavalo, os trajes e os arreios, tudo era verde. O ouro e o aço estavam manchados de verde, os arreios reluziam e cintilavam com pedras verdes e filetes de ouro estavam entrelaçados na crina verde do cavalo. Artur imediatamente se oferece para o desafio do cavaleiro, mas Gawaine se interpõe e o toma para si. Com um golpe de machado, decepa a cabeça do cavaleiro que rola pelo chão, espalhando sangue na carne verde. O cavaleiro verde recolhe a cabeça. Levanta as pálpebras, olha vivamente e então encarrega Gawaine de encontrá-lo naquele dia, após um ano, na Capela Verde. Segurando a cabeça pelos cabelos verdes, monta em seu cavalo e deixa o casarão.
Um ano depois, para manter a palavra, Gawaine chega ao castelo de Bertilak, anfitrião cordial e generoso que, por ter cor normal, não é reconhecido como sendo o cavaleiro verde. Gawaine chega ao castelo em completo estado de exaustão. Recebido com hospitalidade, envolvido em um manto de arminhos enfileirados, é convidado a sentar ao lado de uma lareira com brasas de carvão. Quando Sir Bertilak retorna ao seu castelo, depois da caça, recebe o hóspede com muita cortesia e combina com ele que daria o produto de sua caça a Gawaine todo dia e, em troca, Gawaine lhe daria algo que tivesse recebido no castelo.
Os dias se passaram e, quando faltava pouco para findar o prazo, o cavaleiro partiu em busca da Capela Verde. Depois de muito caminhar, chegou a um castelo desconhecido onde pediu abrigo. Gawaine, recebido com a gentileza sempre dispensada aos hóspedes, foi convidado a passar uns dias no castelo com o anfitrião e sua linda esposa. Gawaine contou sua história e o Senhor do Castelo disse-lhe conhecer a capela. Como restassem ainda alguns dias para vencer o prazo, Gawaine aceitou o convite aproveitando o tempo para descansar e recuperar-se para o fatídico encontro. O Senhor do Castelo sugeriu que o jovem jogasse com ele por três dias e, a seguir, o levaria à Capela Verde. O jogo consistia numa troca de presentes. O anfitrião sai a para caçar enquanto Gawaine permanecia no castelo: tudo que conseguisse durante o dia, em suas caçadas, o Senhor do Castelo traria para trocar com o que Gawaine tivesse conseguido ganhar em seu dia no castelo. Aceitas as condições, o jogo assim se deu. No primeiro dia Gawaine passeou e conheceu o castelo, acompanhado pela anfitriã que, sempre que possível, aproximava-se amorosamente do jovem cavaleiro tentando seduzi-lo. Gawaine resistiu heroicamente até que no final do dia consentiu que a dama lhe desse um beijo. Quando o Senhor do Castelo retornou, trazia em suas costas um gamo. Jogou-o no meio do salão, perguntando: “E tu, que ganhas-te?” O cavaleiro de Arthur, apesar de confuso com o que ocorria e ainda inibido pela presença da dama, respondeu com fidelidade: “Um beijo”. Aproximou-se do Senhor do Castelo e beijou-lhe a face. No dia seguinte a situação se repetiu, com intensa sedução da senhora e, ao final da tarde, o jovem cavaleiro cedeu aos encantos da mulher e recebeu as carícias. Quando o Senhor do Castelo chegou, trazia nos ombros um enorme javali e entregando-o, conforme o combinado, perguntou a Gawaine o que ganhara. Como resposta recebeu “dois beijos” em seu rosto. No terceiro dia o assédio se intensificou, assustando Gawaine que temia não conseguir resistir à tentação, uma vez que era um hóspede e sua honra de cavaleiro estava acima de tudo. Mas a insistênci a foi tão explícita que não conseguiu resistir, recebendo três longos beijos. Para seu espanto, a Senhora do Castelo entregou-lhe uma fita verde dizendo-lhe para guardá-la pois o protegeria de tudo, inclusive “dos riscos de vida”. Quando o dia terminou, chegou o anfitrião trazendo uma raposa; quis saber o que Gawaine ganhara. A resposta soou reticente: “ três beijos”, e assim premiou seu anfitrião. Gawaine partiu pela manhã em direção à Capela Verde, orientada pelo Senhor do Castelo e apresentou-se ao seu algoz, que disse. “Vejo que cumpriste com tua palavra; ajoelha-te e coloca tua cabeça neste tronco para que eu possa cortá-la”. Gawaine tremia, com medo; ajoelhou-se sem conseguir abaixar a cabeça. O Cavaleiro Verde espera: “meu jovem, tenho uma tarefa a cumprir e tu me impedes de realizá-la!”. O cavaleiro de Arthur se recompôs e com muito custo ajoelhou-se e deitou a cabeça sobre o tronco: o corpo continuava contraído e tenso. Pela segunda vez o Cavaleiro Verde levantou e voltou a baixar sua espada sem conseguir realizar o intento: “Meu jovem, esperava um homem corajoso diante de mim!”. Gawaine não sabia o que fazer, tão desesperado estava; lembrou-se então da fita verde, presente da dama e, agarrando-se a ela com fervor, sentiu seu coração tranqüilizar-se. Ajoelhou-se contrito, colocando a cabeça sobre o tronco e, tomado por uma coragem desconhecida, esperou o golpe fatal. O Cavaleiro Verde levantou a espada e desferiu o golpe atingindo a testa de Gawaine, ferindo-o de raspão. Gawaine levantou-se assustado e para sua surpresa percebeu que sua cabeça estava a salvo e que o Cavaleiro Verde e o Senhor do Castelo eram a mesma pessoa! Confuso e envergonhado, não entendendo nada do que acontecera, ouviu com constrangimento: “Como foste corajoso ganhaste a vida!; como mentiste, eu te marquei com a espada, para que carregues a lembrança de tua falta. Vai , estás livre, busca os teus e conta o sucedido”. Gawaine retornou ao Castelo de Camelot e relatou a Arthur e a seus companheiros o ocorrido. Ainda se sentia envergonhado com sua atitude seja porque omitira parte da verdade ou porque tivera medo e sentira sentimentos nunca antes conhecidos. Salvara sua vida, era verdade, e o Cavaleiro Verde afirmou-lhe que fora pela coragem, mas para isso teve que se deparar com seu próprio medo, medo de morrer, com sua mentira e mais que tudo, com sua fraqueza; senti vergonha de si mesmo. O Rei reconfortou-o como um pai e enalteceu sua atitude dizendo-lhe que ser cavaleiro significava também ser esperto; precisou descobrir que tinha medo para saber ser corajoso e, ao conhecer sua fraqueza pode encontrar a fé na providencia divina, rendendo-se a ela. Tão contente ficou Arthur com a façanha do sobrinho que propôs a todos os cavaleiros da Távola Redonda usarem o fitilho verde em suas lanças em memória de Gawaine.